segunda-feira, 8 de março de 2010

Construção defende revisão na metodologia do PIB

Jornal DCI
São Paulo - O setor da construção civil deve crescer cerca de 9% em 2010, ante 8,1% em 2008 e depois de uma variação negativa esperada para 2009. O presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic), Paulo Safady Simão, defende uma revisão na metodologia do PIB, "para captação da expansão correta do setor".

Simão disse que no próximo dia 11, ao divulgar o Produto Interno Bruto (PIB) de 2009, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) deve anunciar crescimento negativo entre 3% e 4% para a construção civil.

"Nas nossas contas, seria positivo em, no mínimo, 2%" , comentou ele. "Não é que o cálculo esteja errado, mas há aí uma distorção", continuou ele, informando que essa semana conversou com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, sugerindo uma revisão de metodologia do IBGE para captar a contribuição do setor à economia do País.

Simão disse que, na metodologia atual, o IBGE foca apenas a produção de materiais, e não o valor que se agrega à construção de imóveis, como a mão de obra, por exemplo.

No caso dos números de 2009, a crise internacional obrigou muitas empresas a esgotar os insumos que tinham em estoque. E a falta de aumento nessa variável levaria o IBGE a divulgar um número negativo, segundo a Cbic. Simão disse que o ministro Mantega autorizou negociações do setor com o IBGE.

Simão falou ainda que o governo está usando o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) 2 como bandeira eleitoral, além de usá-lo para corrigir erros do PAC original.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Ações locatícias caem 19% em janeiro na capital paulista

em 5/03/2010
Fonte: Revista ZAP


A cidade de São Paulo iniciou o ano com 1.231 ações judiciais relativas a contratos de locação. Trata-se do menor volume de ações em um mês de janeiro desde 1994 ? naquele ano, o primeiro mês do exercício registrou 1.127 ações. A quantidade de ocorrências de janeiro de 2010 foi 4,1% inferior à de dezembro de 2009 (1.283) e 19,1% menor que o verificado em janeiro do ano passado (1.522 casos).
De acordo com o Fórum da cidade de São Paulo, a falta de pagamento do aluguel permanece como principal motivo para a ocorrência de ações locatícias. Em janeiro, percebeu-se a entrada de 1.042 casos, o equivalente a 84,7% do total de ações. As ordinárias ocuparam a segunda colocação, com 123 ações, o correspondente a quase 10%. As renovatórias (56 ações) e as consignatórias (10) participaram com 4,6% e 0,8%, respectivamente.
ANÁLISE POR FÓRUNS REGIONAIS - Dos 13 fóruns regionais analisados, dez diminuíram o volume total de ações locatícias em janeiro de 2010, comparado com o mesmo período em 2009. As ações locatícias nos fóruns regionais apresentaram as seguintes variações:
PENHA - O fórum registrou a maior queda entre as regionais no inicio do ano, com variação de -41,5% em relação a idêntico período de 2009.
LAPA - Apresentou a maior variação percentual no total de ações locatícias: 169,6% frente a janeiro de 2009.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Setor de construção pede mudanças em projetos de habitação e no PAC

PanoramaBrasil
Jornal DCI


SÃO PAULO - O presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Paulo Safady Simão, disse ontem que apresentou, na reunião do Grupo de Acompanhamento do Crescimento (GAC), algumas propostas para corrigir erros do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e do programa Minha Casa, Minha Vida. Segundo ele, houve atrasos de obras por falta de planejamento e de projetos e em razão de licitações malfeitas. Durante o encontro, a maior parte das reivindicações girou em torno das exportações brasileiras, que sofrem ainda com a recuperação lenta do mercado mundial e também com a possível subida de juros por parte do Banco Central (BC).

A proposta da CBIC, segundo ele, é que as obras selecionadas sigam alguns critérios para evitar esses problemas, como, por exemplo, a inclusão da obra no Plano Plurianual do município ou estado, que tenha projetos básicos e o custo- benefício social bem definido. Ele também defendeu a necessidade de ampliação dos agentes financeiros para o programa Minha Casa, Minha Vida. Além disso, o presidente da CBIC disse que é preciso ter uma preocupação maior com o planejamento urbano e não apenas atender a habitação individual.

Já o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto, disse que apresentou, durante a reunião, uma agenda para reduzir a burocracia, desonerar e melhorar as condições de financiamento das exportações. Ele disse que a agenda é antiga, mas que, num cenário pós-crise, é preciso acelerar essas definições. Monteiro Neto lembrou que o governo já trabalha em medidas para o setor exportador. "Nós estamos na direção correta. O problema agora é o time [tempo em inglês]", disse, ao deixar a reunião do GAC.

O presidente da CNI voltou a reclamar do acúmulo de créditos tributários. "Precisamos trabalhar num conjunto de desonerações para o setor exportador. Quem acumula crédito carrega custos." Ele também alertou para o fato de haver um aumento grande das importações, o que, segundo ele, desloca a produção nacional e prejudica o emprego no País.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Entrevista: Elaine Rodrigues

“Especialista alerta para a restrição da purgação de mora e a aceleração do processo de despejo de imóveis comerciais e residenciais” A matéria refere-se a nova Lei do Inquilinato que entrou em vigor no dia 25 de janeiro de 2010. Eu vou conversar com a Dra. Elaine Rodrigues, advogada especialista no setor imobiliário, corretora de imóveis e conferencista da UNISciesp.

Confira o vídeo da entrevista:


Mais informações no twitter do sindicato: www.twitter.com/sciesp

terça-feira, 2 de março de 2010

Cautela com a euforia imobiliária

publicado em 1/03/2010 às 16:30
por Marcos Burghi
Zap Imóveis



O crescimento do mercado imobiliário em 2009 pegou em cheio as ações das empresas do setor. Alguns papéis valorizaram mais de 300% em 12 meses contabilizados até sexta-feira. Apesar da alta acumulada, o segmento de construtoras e incorporadoras não é unanimidade como endereço de investimento para os próximos meses.
Ricardo Torres, professor de Finanças da Brazilian Business School (BBS), está entre aqueles que recomendam o setor. Ele avalia que as perspectivas para este ano são favoráveis, principalmente para as companhias cujos produtos são dirigidos às classes de menor renda, como Tenda e MRV, entre outras.
Torres afirma que os investidores podem se beneficiar caso incluam em suas carteiras papéis do setor imobiliário. “A demanda por habitação, que ficou reprimida durante longo tempo, pode ser atendida, já que existe crédito e as condições de financiamento estão melhores”, avalia.
O professor da BBS avisa, porém, que não é necessário ter pressa na definição ou na aquisição das ações. Segundo ele, as mudanças de direção do mercado podem proporcionar boas oportunidades de compra. “Certamente, quem entrar no mercado hoje ou aumentar seus investimentos, dentro de 15 anos terá obtido rendimentos imbatíveis.”
HISTÓRICO - Ricardo Pinto, coordenador do curso de MBA em Negócios Imobiliários, da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), não desencoraja a compra de ações do setor, mas recomenda cuidados antes da decisão. Pinto alerta para a necessidade de conhecer a história da empresa antes de qualquer definição.
Segundo ele, é importante verificar a trajetória de cada companhia no segmento de atuação e no mercado acionário, bem como conhecer os motivos que levaram seus papéis à valorização. ?É preciso saber se as razões são sólidas ou momentâneas?, diz.
DESEMPENHO NA CRISE - Ele faz ressalvas a papéis de companhias que tiveram altas a partir de incentivos governamentais. ?Em 2010, teremos eleições. Quem garante que o novo governo vai dar seguimento aos programas em andamento hoje?? O professor da Faap afirma que o fim dessa classe de incentivo poderia trazer dificuldades às empresas que têm foco nos empreendimentos populares, o que, segundo ele, teria reflexos diretos sobre o valor dos papéis.
Pinto também recomenda, sobretudo aos neófitos em Bolsa, que pesquisem o desempenho da empresa antes e depois da crise econômica que atingiu o auge em setembro de 2008, chegou ao Brasil com força em dezembro daquele ano e começou a ceder em abril de 2009. Pinto recomenda a leitura de jornais. Ele reputa como um meio eficiente de conferir como a companhia se saiu durante o período de turbulência. “Prefira aquelas que tiveram menos dificuldades”, orienta.
O professor pede cautela especial ao pequeno investidor que, acredita, “não tem a persistência dos grandes, o que, em mudanças bruscas, pode levar a perdas.”
Sandra Perez, analista da Coinvalores, vê boas perspectivas nas ações de empresas do mercado imobiliário. Ela afirma que as captações de recursos se transformam em lançamentos e vendas, o que calibra os caixas das companhias. A analista afirma que, se não houver altas bruscas dos juros, o setor não enfrentará grandes problemas.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Operação Urbana Vila Sônia vai atrair 37 mil moradores até 2027

Projeto ampliará potencial construtivo na região; metro quadrado já se valorizou 45% nos últimos 5 anos

Rodrigo Brancatelli
Fonte: Estadão


É difícil sair de algum cruzamento do bairro da Vila Sônia, na zona sul da capital paulista, sem ganhar um folheto de novo empreendimento imobiliário. Garotas segurando placas indicando "dois dormitórios, imperdível" ou "residencial de luxo" também viraram figurinha carimbada de uma região que ganhou 2,5 mil apartamentos no ano passado. De olho na valorização do metro quadrado, que alcançou 45% nos últimos cinco anos, a Prefeitura pretende agora tirar proveito desse boom de prédios e lançar no mercado a Operação Urbana Vila Sônia - incentivo que deve multiplicar o movimento de verticalização e trazer mais 37 mil moradores para o bairro até 2027.

A criação da Operação Urbana vai ampliar o potencial construtivo da região, pois permitirá um coeficiente de aproveitamento dos terrenos muito maior do que o permitido em outras áreas. Serão exatos 1,356 milhão de metros quadrados de potencial adicional. Para poder aproveitar essas novas regras, as construtoras têm de adquirir títulos da Prefeitura, chamados de Cepacs, cujo valor será reutilizado em obras na própria Vila Sônia. O governo, que espera lançar a operação nesse primeiro semestre, calcula arrecadar R$ 300 milhões e utilizá-los na construção de um túnel, parques e moradias populares.

"Queremos disciplinar esse crescimento e controlar o adensamento", diz o secretário municipal de Desenvolvimento Urbano, Miguel Luiz Bucalem. "Queremos incentivar a construção em dois principais polos, em volta das futuras estações do Metrô Butantã e Vila Sônia. Com isso, criaremos subcentralidades, o que vai facilitar o deslocamento dos moradores."

Com o valor arrecadado em Cepacs, o governo vai fazer um parque linear, recuperar os parques já existentes, melhorar calçadas e construir um túnel para as avenidas Corifeu de Azevedo Marques e Eliseu de Almeida. Além disso, 12% de todo o valor arrecadado será usado em regularização fundiária e reubanização de duas favelas - o Morro da Fumaça e o Jardim Jaqueline. "Queremos antes conversar com os moradores para explicar que a Prefeitura não quer simplesmente adensar o bairro ao limite", diz o secretário.

O grande problema da Prefeitura, no entanto, é o "atraso" da operação, uma vez que a Vila Sônia virou a bola da vez no mercado imobiliário há quase quatro anos. O motivo é a chegada das próximas estações da Linha Amarela do Metrô, que ligará a zona sul ao centro - até então, era um bairro repleto de casas, que vêm dando espaço para torres residenciais com apartamentos entre R$ 350 mil e R$ 1 milhão. De acordo com as planilhas da Secretaria Municipal de Habitação, pelo menos 15 empreendimentos devem subir nos próximos anos sem que o governo ganhe um centavo - sem falar os prédios que já foram lançados e não utilizaram Cepacs.

"Parece sempre que a nossa cidade está com o freio de mão puxado quando lida com assuntos urbanísticos, principalmente no que diz respeito à ocupação do solo", diz João Crestana, presidente do Secovi-SP. "Obviamente o mercado tem interesse na região, o metrô e a Copa do Mundo vão criar um eixo de desenvolvimento ali. Se tivermos regras claras, dá para fazer muita coisa boa no bairro."





ENTENDA A OPERAÇÃO

Operação Urbana: é uma ferramenta prevista no Plano Diretor Estratégico, que dá ao incorporador a possibilidade de construir além dos limites impostos pela legislação municipal. Normalmente, um terreno de mil metros quadrados só pode ter um prédio de área total idêntica. Na Operação Urbana Vila Sônia, os terrenos perto das estações de metrô poderão ter prédios de até 4 vezes a área

Valores: O governo calcula arrecadar R$ 300 milhões em Cepacs

Outros lugares: A Prefeitura pretende lançar Operações Urbanas na região da Avenida Jacu-Pêssego, na Vila Leopoldina/Jaguaré e Carandiru/Vila Maria (que engloba vários bairros da zona norte)

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

'Haverá a demolição imediata dos barracos'

Lair Krähenbühl: secretário de Estado da Habitação. Secretário diz que projeto vai evitar problemas como os que ocorreram em Angra e Florianópolis; ninguém será indenizado


O Programa de Recuperação Socioambiental da Serra do Mar prevê R$ 1 bilhão em recursos. Desse total, R$ 700 milhões serão destinados à Habitação. O titular estadual da pasta, Lair Krähenbül, falou sobre as remoções:

Em que consiste o Programa de Recuperação Socioambiental da Serra do Mar?

As famílias têm de sair porque é uma área de proteção ambiental e há um risco geotécnico muito grande. O projeto vai evitar problemas como os que aconteceram em Angra dos Reis. Esse projeto foi iniciado há anos. Há um acordo com o Ministério Público, e o governo já tinha sido condenado a fazer essas ações de remoção, mas nunca fez. Agora demos início ao programa.

Mas por que a demora para iniciar a transferência das famílias?

Se você considerar o tamanho do programa, fizemos em tempo recorde. Houve um atraso por causa das licitações, mas isso não trouxe prejuízos. O tempo perdido já foi recuperado. Vamos concluir o programa na região até 2012.

Qual é o papel da Secretaria da Habitação no programa?

Vamos garantir que todas as famílias tenham moradia em conjuntos habitacionais. Quem ficar estará legalizado. Vamos urbanizar as áreas remanescentes para que se tornem um bairro de verdade. Nesses terrenos, algumas famílias também terão de sair para garantirmos a faixa de proteção de 15 metros nas margens de córregos. Às margens da Via Anchieta, a faixa será de 50 metros. Depois de limpos, os terrenos desocupados serão reflorestados.

Como o governo vai evitar novas invasões na área?

A garantia de sustentabilidade do programa se dá com a demolição imediata dos barracos desocupados. Também vamos construir usinas de trituração do entulho removido.

As famílias serão indenizadas?

Nenhuma família será indenizada porque são áreas ocupadas irregularmente há anos. Não há amparo legal para dar indenização.

Qual será o destino das famílias que não têm condições de pagar as prestações da CDHU?

Elas podem pagar R$ 40 por mês durante o tempo que não puderem pagar prestações.

Fonte: Estadão

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Financiamento de imóvel com poupança cresce 51% e bate recorde em janeiro

Por: Flávia Furlan Nunes
Fonte: Infomoney
São Paulo
O volume de empréstimos para a compra de imóvel com recursos da poupança cresceu 51,9% em janeiro, frente ao mesmo período do ano passado, para o recorde de R$ 2,88 bilhões. Este foi o melhor resultado da história do SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo) para o mês.
Frente a janeiro de 2008, quando havia uma euforia do
crédito imobiliário, também foi registrado crescimento, de 77,3%.
Quando a comparação é feita com o último semestre de 2009, porém, os
financiamentos com recursos da poupança registraram queda de 16,1%, uma vez que naquele período o volume era de R$ 3,43 bilhões em média.
No acumulado dos últimos 12 meses, os empréstimos para a compra de imóvel com recursos da poupança cresceram 15,5%, frente ao período de 2009, com um volume financiado de R$ 35 bilhões.
Unidades financiadas
Em janeiro, 22.894 imóveis foram financiados com recursos da poupança, um volume 29,6% superior ao registrado no mesmo mês de 2009. Se comparado a dezembro, a quantidade é menor, já que naquele mês foram financiadas 31.688 unidades. Em 12 meses, foram 307,91 mil unidades adquiridas por meio de recursos da poupança.
Em relação ao resultado da poupança no período, os dados mostraram que houve uma captação líquida (depósitos menos saques) de R$ 1,8 bilhão, com o saldo atingindo R$ 256,6 bilhões.
De acordo com a Abecip, o comportamento é sazonal porque janeiro é um mês em que aumentam os dispêndios das famílias brasileiras. Janeiro de 2010 registrou o melhor resultado para o período desde 1997, quando a captação líquida representou 5,06% do saldo das contas do final de 1996.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

TV O Corretor Entrevista: Ricardo Monteiro

Proteção do Patrimônio, o domínio do tema é fundamental para o profissional da intermediação imobiliária, haja vista a sua atribuição em orientar e assessorar os interessados na comercialização de imóveis. Eu vou conversar com Ricardo Monteiro, advogado especialista em estratégia societária e tributária, negociações, estruturação de projetos, transações imobiliárias com foco na economia legal de impostos e ainda conferencista da UNISciesp. Confira a entrevista:




Mais informações sobre o mercado imobiliário no twitter do sindicato: www.twitter.com/sciesp

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Crédito imobiliário bate recordes e bancos preveem mais expansão

Esgotamento da poupança, que financiou R$ 34 bi em 2009, leva instituições a analisar alternativas de recursos

Leandro Modé
Jornal Estadão


O brasileiro nunca financiou tanto imóvel como em 2009, e a tendência é de que novos recordes sejam batidos neste ano. Para alguns, o País está em pleno boom imobiliário. Para outros, é só o início desse processo, uma vez que o déficit habitacional, entre 6 milhões e 8 milhões de unidades, conforme o cálculo, ainda é elevado.

Avaliações distintas à parte, o fato é que o setor vive seu melhor momento na história recente, que já leva os bancos a discutir alternativas de recursos para bancar a expansão. Hoje, a maior parte do dinheiro (cerca de 70%) vem da caderneta de poupança, mas, segundo especialistas, essa fonte deve se esgotar, dependendo da instituição financeira, já em 2011.

No ano passado, 302,7 mil unidades foram financiadas com os depósitos da caderneta, em um total de R$ 34 bilhões. Nem na época do finado Banco Nacional da Habitação (BNH), no início dos anos 80, tantos imóveis foram vendidos por meio de empréstimos no País.

"O Brasil é a bola da vez como mercado relevante para experimentar uma forte expansão do crédito imobiliário", define o diretor-geral da Montreal Informática, Luís Antônio Santos. A empresa vende soluções tecnológicas para diversos setores da economia, entre eles o imobiliário. Os principais bancos que atuam no País fazem parte de sua clientela.

O diretor de Crédito Imobiliário do Itaú Unibanco, Luiz França, que também preside a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), lista os fatores que explicam o desempenho recente e as boas perspectivas. Em primeiro lugar, a segurança jurídica, obtida com a mudança da legislação promovida em 2004. Foi ali que se instituiu o mecanismo de alienação fiduciária, que facilita a retomada do imóvel em caso de inadimplência. Em segundo lugar, França cita o alongamento dos prazos de financiamento para até 30 anos, que permitiu a redução das prestações mensais.

Em terceiro lugar, o executivo destaca a estabilidade da economia. De um lado, essas condições mais estáveis abriram caminho para a queda dos juros. De outro, elevaram o poder aquisitivo da população (como mostra a ascensão de milhões de brasileiros à classe C), o que reduz o calote. Um fator mais recente é o programa do governo Minha Casa, Minha Vida.

Nesse ambiente, os bancos privados, que sempre foram reticentes em investir no mercado imobiliário, mostram grande apetite. Na média, preveem alta de 30% a 40% nos empréstimos este ano. Em 2009, segundo o Banco Central, o crédito para a habitação avançou 41,5%, ante 14,9% do crédito total.

"Vemos o crédito imobiliário como motor da expansão do crédito geral (no País)", diz o diretor executivo de Negócios Imobiliários do Santander Brasil, José Roberto Machado. Segundo ele, no mundo, o financiamento imobiliário responde, em média, por 65% da carteira de crédito do banco. No Brasil, são 5%.

O diretor de Crédito Imobiliário do HSBC, Antonio Barbosa, afirma que a meta da instituição é aumentar a participação no segmento nos próximos anos. "Queremos crescer acima da média do mercado", explica. A aposta do banco é no que Barbosa classifica de "serviço diferenciado".

No Bradesco, o discurso é parecido. "Queremos mais mercado", diz o diretor do Departamento de Empréstimos e Financiamentos, Nilton Pellegrino. O objetivo é aproveitar que "não há cidadão no Brasil que não queira ter imóvel próprio".